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Simplifica!

Todo mundo está acostumado com a sensação de ler um parágrafo e não entender absolutamente nada, não é? Seja em um livro, um artigo ou trabalho acadêmico, de vez em quando nos deparamos com textos e discursos que não conseguimos entender nem mesmo depois de relermos duas ou três vezes. Às vezes é pelo excesso de palavras complicadas que estão lá apenas para aumentar a moral do autor (os mesmos chamariam de “verborragia”), às vezes é devido à falta de ordem nos fatos e acontecimentos apresentados. Em algum ponto o texto deixou de lado a simplicidade e se tornou confuso. De uma forma ou de outra, é tudo consequência da falta de preparo.

Desenvolver um texto, um discurso, que será falado, escrito, cantado ou declamado envolve três passos básicos: planejamento, execução e revisão. Dois deles costumam ser ignorados. O planejamento é deixado de lado muitas vezes porque as pessoas acham que sabem o que querem falar. “Está tudo aqui na cabeça” e “Desse assunto aí eu entendo bastante” são frases bem comuns de serem ouvidas e são, também, responsáveis por mensagens confusas e sem eficácia. Se alguém não planeja inicialmente uma tarefa, como ela saberá por onde começar? Como terá noção de quais argumentos apresentar em seguida? E para terminar de forma satisfatória? Se você não sai de casa para um lugar desconhecido sem mapa e/ou GPS, porque começar um texto novo sem saber o que quer dele?
A revisão é outra vítima do esquecimento. Nem tudo na vida sai conforme planejamos (quase nada, em alguns casos), então é necessário observarmos o produto recém-produzido atrás de desvios de rota que possam atrapalhar o entendimento de quem o receberá. É claro que às vezes surgem boas surpresas que servem ao propósito final, mas tudo que não presta para a mensagem original ser entregue deve ser retirado. Isso sem contar os clássicos erros de gramática que farão o seu público perder o respeito pelo argumento apresentado. Se todos os setores da indústria, comércio e entretenimento revisam seus produtos antes de vendê-lo, imagino que seja uma boa ideia fazê-lo com textos e discursos também.

Mas e os termos complicados? Afirmo-lhe que a utilização exacerbada de vocábulos demasiadamente labirínticos pode, em primeiro momento, parecer-lhe um meio de garantir a imagem de bom conhecedor da língua portuguesa; quando, verdade sendo dita, apenas o fará danificar a boa compreensão de uma mensagem que agora nada mais é além de um rabisco robusto de sua concepção original. Em outras palavras: usar palavras difíceis não te fará ser mais inteligente, só vai estragar o que você está tentando dizer. Muito cuidado com o famoso “encher linguiça” também, os professores só aceitam esse recurso fajuto na escola porque sabem que não adianta pedir para o aluno refazer o trabalho. Na vida profissional, não ir direto ao ponto vai mostrar apenas falta de preparo e de conteúdo: “não tenho mais o que dizer, então deixa eu enfiar umas palavras aleatórias aqui.”

Então, considerando tudo que foi escrito acima,como simplificamos uma mensagem? Você planeja o que quer dizer, revisa depois de feito e evita palavras que vão confundir quem receber a mensagem. Pronto, acabamos de pegar 379 palavras e as transformamos em 20 que dizem o mesmo.

Luiz Lindroth